O Náufrago

Imbecil Coletivo

Acompanhando (porque foi impossível não acompanhar) o tal do “movimento #forasarney” lá no Twitter, tive a impressão de que o sonho de muita gente é querer ser a Veja quando crescer. Por esse aspecto, ainda bem que não crescerão.

Outra coisa impressionante é a quantidade de gente que aparentemente conhece a realidade de Honduras melhor do que a do seu quarto. Refiro-me tanto aos que gritaram “golpe” quanto aos que imitaram aquela humorista do Zorra Total (citação perfeitamente apropriada para esse post, aliás): “Aí podi!“. Por que essa sanha por opinar? Quem precisa tomar alguma posição está querendo é rôla, isso sim.

Ia encerrar por aqui, mas acabei de receber por email um pedido de auxílio financeiro para quem nunca antes realizou um mínimo de esforço para ganhar a vida por conta própria, nem mesmo para fazer esse escandaloso pedido pessoalmente. Assim, já que chegou a esse ponto, merece fazer companhia à turma aí de cima.

Como disse o Nelson Rodrigues: “Hoje é muito difícil não ser canalha. Todas as pressões trabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo.

Para Você

Você sabe que sempre que me lembro daquele dia a primeira coisa que se renova é o seu riso enquanto eu imitava aquele apresentador de TV? Isso! O “Boca de b...” havia se perdido com as câmeras do telejornal daquela noite e não conseguia acertar uma. Só depois de umas cinco ou seis notícias ele enfim olhou para a câmera correta.

Você estava de pé, à esquerda, perto da porta de entrada da casa dos pais da Aninha, e, eu, sentado no sofá, tomei um susto quando vi que você ria, que você gostava. Justo você!, que eu tinha certeza de que me detestava!

Daí por diante eu confesso que tudo se mistura confusamente na minha memória, como se fosse um sonho desconfiado da sua realidade. Mas isso só vai até o momento do nosso beijo conquistado sem palavras naquela pista de dança. Disso eu me recordo bem, do nosso olhar cada vez mais próximo, da confusão de som e luzes se desfazendo de imediato, do caminho que fomos abrindo em meio à multidão em busca da confirmação do que, sim, do que já sabíamos, não apenas desconfiávamos.

Como pudemos saber desde o primeiro instante? Ainda que até hoje eu diga que não sabemos por que ficamos juntos naquela noite, que pareça ter sido por acaso, só de farra, só para ver qual era, ainda que eu diga todas essas bobagens, a verdade é que ambos sabíamos desde o primeiro instante.

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